Fundação Araucária projeta R$ 440 milhões em investimentos em CT&I no Paraná em 2026
Após fechar 2025 com forte expansão de programas e bolsas, entidade começa ano focada em infraestrutura científica, inovação estratégica e arranjos cooperativos de pesquisa.
Ao completar 25 anos de atuação em 2025, a Fundação Araucária chegou a um novo ciclo como o principal braço de fomento à ciência, tecnologia e inovação do Paraná — não apenas pelo volume de recursos mobilizados, mas pela centralidade que passou a ocupar na engrenagem do ecossistema estadual.
O planejamento para 2026 prevê cerca de R$ 440 milhões em investimentos próprios e de parceiros, organizados em três frentes principais: a sustentação do Sistema de CT&I, o avanço de iniciativas de inovação estratégica e o fortalecimento dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), que encerraram 2025 com 47 estruturas em operação e outras nove em análise.
A estratégia sinaliza continuidade de um ciclo de expansão iniciado nos últimos anos, marcado por maior previsibilidade orçamentária e pela ampliação do escopo de atuação da Fundação — que passou a operar não apenas como agência de fomento acadêmico, mas como peça-chave na articulação entre pesquisa, inovação e desenvolvimento econômico. Desde que foram criados, em 2019, os Napis já movimentaram R$ 222,5 milhões em investimentos em áreas como saúde, genômica, educação, emergências climáticas, sustentabilidade, agricultura, inteligência artificial, energias renováveis e transformação digital.
“Os últimos anos representam os melhores da história da ciência e tecnologia do Paraná – principalmente a partir de 2023, com a destinação dos 2% da receita tributária do estado para investimento em CT&I, que têm feito toda a diferença”, destaca Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação desde 2019, e que participou da criação da instituição quando foi secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, entre 1999 e 2002.
UM 2025 DE ESCALA E DENSIDADE
Os números de 2025 ajudam a dimensionar o ponto de partida para 2026. Até outubro, a Fundação Araucária lançou 50 programas, sendo 17 Chamadas Públicas e 33 Processos de Inexigibilidade, que juntos somaram cerca de R$ 240 milhões em investimentos. No mesmo período, foram concedidas 4.756 bolsas de pesquisa, reforçando a base científica e a formação de recursos humanos no Estado.

Entre os movimentos de maior impacto esteve o reforço aos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs). Com investimento de R$ 53,1 milhões, o Paraná passou de quatro para 14 institutos, sendo 12 implantados na atual gestão, ampliando sua presença no sistema nacional de ciência. “É um ganho de competência do Estado muito importante. O Paraná entra com destaque agora no sistema nacional através desses INCTs”, afirma Luiz Márcio Spinosa, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária.
INFRAESTRUTURA CIENTÍFICA E APROXIMAÇÃO COM O SETOR PRODUTIVO
Além do fortalecimento dos INCTs, 2025 foi marcado por investimentos em infraestrutura científica de maior complexidade. A criação da Rede Estadual de Computação de Alto Desempenho (HPC) prevê a instalação de oito supercomputadores em universidades estaduais e de um simulador quântico no IDR-Paraná — um movimento ainda raro no país e que reposiciona o Estado em áreas intensivas em dados e capacidade computacional.
No campo da inovação aplicada, a Fundação também ampliou parcerias com o setor produtivo. Programas como o HUBX IA, desenvolvido com Tecpar, Fiep e Instituto Senai de Tecnologia, buscaram acelerar o uso de inteligência artificial nas empresas, enquanto o “Doutores Inovando no Setor Empresarial”, em parceria com o IEL Paraná, apostou na inserção de pesquisadores no ambiente corporativo como vetor de inovação contínua.
Outras iniciativas, como o programa Patrulheiros da Sustentabilidade e o projeto de implantação de um laboratório de sementes de ostras para o Litoral, reforçaram a diversidade de áreas atendidas pela Fundação — da ciência de fronteira à inovação com impacto regional.
NOSSA ANÁLISE | O que está em jogo em 2026
O dado mais relevante não é apenas o volume de recursos projetado para 2026, mas a forma de operação destes recursos, que combina fomento à pesquisa, investimentos em infraestrutura crítica e programas de aproximação com o setor produtivo.
O desafio, daqui para frente, é transformar escala em impacto. A ampliação dos NAPIs, a consolidação dos INCTs e o avanço em áreas como HPC e IA criam condições técnicas robustas — mas exigem governança, prioridades claras e capacidade de execução para que o conhecimento gerado se converta em inovação econômica, competitividade empresarial e desenvolvimento territorial.
Para o ecossistema, 2026 tende a ser um teste de maturidade: o quanto essa infraestrutura científica conseguirá dialogar com empresas, políticas públicas e desafios reais do Estado.
